Saudades do que foi nosso

Hoje dei comigo a pensar na minha antiga casa. A ter saudades do espaço, do cheio, da sensação de pertença, de estar num lugar que era uma extensão de mim.

Estes pensamentos levaram-me à pergunta “também somos o que temos?”. Se somos o que temos também, para onde vai essa parte do ser quando o deixamos de ter? Ou simplesmente não somos o que temos? Mas se não somos, como poderia eu sentir aquele espaço tão “eu”?

Acho que o mesmo se aplica às relações, às pessoas que temos como nossas (que na verdade nunca são nossas) com quem sentimos parte de nós ser em conjunto. Eu só sou mãe porque tenho os meus filhos!

Talvez tudo um pouco seja verdade e o que nos custa a ver (ou talvez só me custe a mim) é que nós somos constantemente transformação. Somos um pouco disto hoje que evolui para um pouco daquilo. Talvez seja aí que esteja a magia do ser… nunca é estático. As coisas e pessoas acompanham-nos, fazem parte de nós até deixarem de fazer, ficando apenas fragmentos no nosso ser… ser esse que se transforma, que se veste de algo e se vai despindo ao mesmo tempo.

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