Tu não és estático

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Sabes aquela pessoa, que não vias há tanto tempo e encontras por acaso… e que, apesar de terem passado anos e anos parece continuar igual? Mais velha… mas igual! O mesmo tipo de conversas, a mesma mentalidade, o mesmo tipo de actividade, as mesmas crenças. Parece que o mundo passou por ela, mas ela não passou pelo mundo. Não absorveu mais nada! Vive o dia-a-dia igual, como vivia há 5 anos atrás.

Eu não quero ser essa pessoa!

Mas às vezes encontro pessoas que já não vejo há muito, que partem do princípio que eu sou essa pessoa. Acham que me conhecem. Acham que as minhas atitudes e respostas são as mesmas, que acredito nas mesmas coisas, que uso a mesma linguagem, que tenho o mesmo estilo e os mesmos pensamentos. Só que não! Eu cresci! Todos os dias cresço e transformo-me.

Tal como um programa de computador que vai tendo actualizações, nós próprios também nos vamos actualizando. Criando melhores versões de nós mesmos. Ou pelo menos, se não o fazemos devíamos… porque computadores velhos não têm o mesmo desempenho. Essas pessoas que pensam que continuo igual esqueceram-se de “ler” a minha actualização.

Nós não somos estáticos. Se tivermos atentos, todos os dias aprendemos. Cada desafio é uma aprendizagem, um passo para a nossa versão mais actualizada. Gosto de acreditar que caminho para a minha melhor versão.

Quando olho para trás, vejo uma Marta que já não sou. E não há nenhum mal nisso, antes pelo contrários. Tenho orgulho de quem fui, mas muito mais de quem serei!

Tu não és estático. Muda. Experimenta. Tenta algo diferente. Talvez encontres a tua melhor versão.

 

Miúda de 40

Esta memória nunca me largou. Não sei o que disse à minha mãe… Mas ela olhou para mim como se me fosse passar um segredo da vida. Percebi que era importante. Olhou-me nos olhos e disse  “Não tenhas pressa em crescer. Vive cada idade intensamente porque um dia serás mais velha, mas nunca poderás voltar à idade que já tiveste.” Eu devia ter uns 6 anos. E segui o resto da vida este conselho.

Este ano fiz 40 anos. Não me deu um “click” não me senti mais velha, não senti nada de diferente na verdade… Escrevo este artigo porque parece ser suposto haver um marco nas casas decimais… 10, 20, 30, 40…. e eu não senti nada de especial. Não senti mais peso, não me senti mais adulta, não pensei “estou mais para lá que para cá”. Continuo a ser eu, a viver a minha vida dia após dia. Mais crescida pelas vivências que tenho passado, não pela idade. Mais sábia pelo que aprendo, não pela idade! Melhor mãe pelas experiências que vivo, não pela idade. Penso que melhor filha também, nada a ver com a idade! Mais em paz pelo meu percurso pessoal, não pela idade. Mais sonhadora, o que parece contrariar a tendência natural da idade.

O dia em que fiz 40 anos, foi um dia de festejo, mas foi um dia a mais em relação ao último em que tive 39.

Porque partilho este pensamento? Vejo muita gente preocupada com idades, com rótulos, com ideias pré-concebidas. “Será que sou velha/o para isto?”; “É suposto com a minha idade…”, Como se fosse suposto todos termos o mesmo trajeto… namorar, casar, ter filhos, ter um emprego, reformar…. Parece-me que no meio, algures, algumas pessoas perdem a sua essência. O que verdadeiramente somos não tem idade!

Todos morreremos um dia. Espero que num dia muito longínquo, mas a verdade é que ninguém sabe quando será. Se pensarmos bem há pessoas a morrerem aos 10, 20, 30, 40… E se for aos 90? O que importa a idade depois desse momento? O que realmente importa é o que vivemos. É darmos a nossa melhor versão. Nunca é tarde nem cedo para sermos genuínos, íntegros e felizes. Também nunca é tarde ou cedo para mudarmos. Nós somos o que quisermos ser! E a boa notícia é que podemos mudar a qualquer momento. Inspirarmo-nos por outros, inspirar outros, ser diferente, ser igual… se é aos 10, 20, 30, 40… o que importa?

Juro que me sinto uma criança. Tenho 40, olho-me ao espelho e vejo uma miúda. Espero sentir-me assim toda a vida!

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