Tu não és estático

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Sabes aquela pessoa, que não vias há tanto tempo e encontras por acaso… e que, apesar de terem passado anos e anos parece continuar igual? Mais velha… mas igual! O mesmo tipo de conversas, a mesma mentalidade, o mesmo tipo de actividade, as mesmas crenças. Parece que o mundo passou por ela, mas ela não passou pelo mundo. Não absorveu mais nada! Vive o dia-a-dia igual, como vivia há 5 anos atrás.

Eu não quero ser essa pessoa!

Mas às vezes encontro pessoas que já não vejo há muito, que partem do princípio que eu sou essa pessoa. Acham que me conhecem. Acham que as minhas atitudes e respostas são as mesmas, que acredito nas mesmas coisas, que uso a mesma linguagem, que tenho o mesmo estilo e os mesmos pensamentos. Só que não! Eu cresci! Todos os dias cresço e transformo-me.

Tal como um programa de computador que vai tendo actualizações, nós próprios também nos vamos actualizando. Criando melhores versões de nós mesmos. Ou pelo menos, se não o fazemos devíamos… porque computadores velhos não têm o mesmo desempenho. Essas pessoas que pensam que continuo igual esqueceram-se de “ler” a minha actualização.

Nós não somos estáticos. Se tivermos atentos, todos os dias aprendemos. Cada desafio é uma aprendizagem, um passo para a nossa versão mais actualizada. Gosto de acreditar que caminho para a minha melhor versão.

Quando olho para trás, vejo uma Marta que já não sou. E não há nenhum mal nisso, antes pelo contrários. Tenho orgulho de quem fui, mas muito mais de quem serei!

Tu não és estático. Muda. Experimenta. Tenta algo diferente. Talvez encontres a tua melhor versão.

 

Andamos assim tão distraídos?

Sentada na praia, já ao final do dia, observo um casal com uma menina com cerca de 5 anos, os três à beira mar. A menina pede atenção e começa a fazer birra. O homem (que não me parecia ser seu pai) começa a gozar com ela e fingir que faz birra também. Atira-lhe água, corre atrás dela e “pendura-se” também no braço da mãe a imitá-la. A mãe pega nela ao colo e eu sinto alívio.

No mar entram um pai e uma menina com cerca de 12 anos. Ela mergulha. Ele não. A água está gelada. Ela atira-lhe água para brincar e ele diz-lhe em voz bem alta “Podes parar com essa merda? Porque é que tens que ser sempre tão chata!?”. A menina em voz mais baixa ainda responde “Pai, não tens que me dizer isso!” mas ele discorda “tenho que dizer sim! Estás a ser chata!” Sinto o coração apertado! Tenho vontade de gritar “Não acredites nisso!!! Não és chata! És uma menina espetacular!!” Mas não grito. E passado um tempo, depois do mergulho do pai, já brincam e conversam os dois.

Mais à frente uma mãe grita com o filho com cerca de 10 anos. Aponta o dedo para o chão perto dos seus pés e ordena-lhe “Quero-te aqui! Agora!! Agora!!! Agora, estás a ouvir??!!!” e ele lá vai.

E quantas crianças há por aí a serem sacos de boxe das emoções dos adultos?

Andamos assim tão distraídos?

Vem-me à cabeça uma frase que o meu companheiro me costuma dizer “até para nascer é preciso ter sorte!”

O que se passa com os adultos? Não sabem que a informação entra nas crianças, diretamente para o seu subconsciente sem qualquer filtro? Que tudo o que lá metemos fica? Que têm que lidar com as suas frustrações, os seus egos, as suas emoções de outra forma… que têm que trabalhar neles próprios em vez de descarregar nos outros? Muito menos nas crianças.

A sério que andamos assim tão distraídos que não damos conta dos danos que podemos causar? Ao ponto de não ver que birras, disparates e caras tristes são um sinal? Fazem parte, claro que fazem, são crianças a crescer. Mas são um sinal. E nós, como adultos temos a obrigação de saber mais. De fazer melhor!

Não, não sou uma mãe perfeita. Já gritei várias vezes com os meus filhos (apesar de não me lembrar já da última vez que isso aconteceu), confesso que até já dei palmadas (mas jurei nunca mais o fazer, estou a tentar cumprir essa jura), e não me parece que tenha que lhes pagar psicólogo por causa disso. Também não sou o tipo de mãe de não ralhar e de não criar regras e achar que tudo pode ofender os seus sentimentos. Às vezes eu própria tenho dificuldade em lidar com as minhas emoções. Mas todos os dias tento tornar-me melhor mãe!

Devemos ter consciência de que tudo o que fazemos com as crianças tem impacto no seu crescimento. Como cuidadores temos a responsabilidade de lhes dar o melhor de nós, para também eles se tornarem o melhor deles próprios. Pelo menos eu sinto que devo isso aos meus. Devo isso ao mundo.

O meu objetivo com este texto não é criticar nenhum pai ou mãe ou cuidador. Eu sei que muitas vezes estão a dar o seu melhor. Que muitas vezes também estão cansados, esgotados, tristes, confusos… Mas sabem que mais… os miúdos não têm culpa.

Penso muitas vezes que temos que começar a ter uma maior consciência sobre a educação. Que crianças queremos criar para o mundo? Acredito que todos (todos mesmo) somos cuidadores e responsáveis! Todos devemos olhar pelas crianças com quem temos contato. Todos devemos dar o exemplo.

Vamos então trabalhar na nossa inteligência emocional. Fortalecendo a nossa auto-estima e a deles também! Começarmos por sentirmo-nos bem connosco próprios e ensiná-los a sentirem-se bem também com quem são. Porque a verdade é que todos somos mesmo especiais.

 

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Miúda de 40

Esta memória nunca me largou. Não sei o que disse à minha mãe… Mas ela olhou para mim como se me fosse passar um segredo da vida. Percebi que era importante. Olhou-me nos olhos e disse  “Não tenhas pressa em crescer. Vive cada idade intensamente porque um dia serás mais velha, mas nunca poderás voltar à idade que já tiveste.” Eu devia ter uns 6 anos. E segui o resto da vida este conselho.

Este ano fiz 40 anos. Não me deu um “click” não me senti mais velha, não senti nada de diferente na verdade… Escrevo este artigo porque parece ser suposto haver um marco nas casas decimais… 10, 20, 30, 40…. e eu não senti nada de especial. Não senti mais peso, não me senti mais adulta, não pensei “estou mais para lá que para cá”. Continuo a ser eu, a viver a minha vida dia após dia. Mais crescida pelas vivências que tenho passado, não pela idade. Mais sábia pelo que aprendo, não pela idade! Melhor mãe pelas experiências que vivo, não pela idade. Penso que melhor filha também, nada a ver com a idade! Mais em paz pelo meu percurso pessoal, não pela idade. Mais sonhadora, o que parece contrariar a tendência natural da idade.

O dia em que fiz 40 anos, foi um dia de festejo, mas foi um dia a mais em relação ao último em que tive 39.

Porque partilho este pensamento? Vejo muita gente preocupada com idades, com rótulos, com ideias pré-concebidas. “Será que sou velha/o para isto?”; “É suposto com a minha idade…”, Como se fosse suposto todos termos o mesmo trajeto… namorar, casar, ter filhos, ter um emprego, reformar…. Parece-me que no meio, algures, algumas pessoas perdem a sua essência. O que verdadeiramente somos não tem idade!

Todos morreremos um dia. Espero que num dia muito longínquo, mas a verdade é que ninguém sabe quando será. Se pensarmos bem há pessoas a morrerem aos 10, 20, 30, 40… E se for aos 90? O que importa a idade depois desse momento? O que realmente importa é o que vivemos. É darmos a nossa melhor versão. Nunca é tarde nem cedo para sermos genuínos, íntegros e felizes. Também nunca é tarde ou cedo para mudarmos. Nós somos o que quisermos ser! E a boa notícia é que podemos mudar a qualquer momento. Inspirarmo-nos por outros, inspirar outros, ser diferente, ser igual… se é aos 10, 20, 30, 40… o que importa?

Juro que me sinto uma criança. Tenho 40, olho-me ao espelho e vejo uma miúda. Espero sentir-me assim toda a vida!

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Tu não és uma profissão

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Desde pequenos que começamos logo a conviver com a pergunta “o que queres ser quando fores grande?” e sabemos que a pessoa espera que respondamos uma profissão.

Surpresa das surpresas: TU NÃO ÉS UMA PROFISSÃO.

Quantas pessoas conheces que tiraram um curso superior e hoje em dia não estão a trabalhar na “sua área”. Quantas mudaram de rumo à procura de novos sonhos, novos projetos, novas aventuras. Quantas depois de novas tentativas buscam ainda algo diferente.

Não é um curso o que nos define. Não é uma carreira. Não de todo uma profissão.

Todos nós somos pessoas, com emoções, com um coração a bater cá dentro e, na minha opinião, aquilo em que temos que nos focar é em que tipo de pessoa queremos ser. Humildes, amigos, simpáticos, lideres? Ajudar outros, inspirar, dormir de consciência tranquila? Transmitir uma energia positiva, ser bom pai/mãe, sorrir? Sentir-me feliz com as pequenas coisas, olhar para o mundo como turista? Ser apaixonada pela vida? Que tipo de pessoa quero ser? A profissão vem por acréscimo.

Eu defendo que devemos sempre trabalhar as nossas paixões. Mas a verdade é que estas podem variar ao longo da vida. E é normal. E pode ser bom. O fundamental é sermos coerentes connosco próprios. Estarmos bem com quem somos, com quem decidimos ser. Tudo o resto se completa 🙂

Não digo que não pensemos também em que gostaríamos de trabalhar, pois na grande maioria dos casos, esta vai ser uma grande fatia da vida. A questão é quando estamos a pensar nisso como fator principal, esquecendo que tipo de pessoa queremos ser verdadeiramente.  Num modelo educativo tão focado em preparar crianças para uma carreira, parece-me a mim que estamos a esquecermos-nos de as preparar para serem adultos felizes dentro da sua própria pele e para explorarem o seu verdadeiro potencial de crescimento enquanto seres humanos.

Que negócio é esse?

“Que negócio é esse em que as pessoas parecem andar todas felizes? Desculpa, mas não me parece normal numa sociedade que anda meio cabisbaixa. Adoram segundas-feiras? Estão a gozar?”

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Não… confesso que nunca me disseram estas frases exatamente como as escrevi (apesar de já me terem dito algumas parecidas). Mas é o que imagino as pessoas pensarem quando são surpreendidas por algumas fotos e posts em redes sociais partilhadas pelo pessoal da Teamway. A mim, enche-me de orgulho fazer parte deste projeto.

No inicio estranha-se. Reconhecimentos? Por tão pouco? As pessoas estão estranhamente acostumadas a serem chamadas a atenção quando fazem algo de errado, não quando fazem algo bem (afinal quando isso acontece não estão a fazer mais que a sua obrigação!). Aqui é ao contrário. Reconhecemos as mais pequenas conquistas, pois são essas que desenham o nosso caminho até às grandes vitórias.

“Lá fora” é quase empresarialmente aceite passar por cima do outro para vencer. Aqui dentro damos as mãos e subimos juntos. Há lugar para todos. Há abundância para todos.

E falamos de sonhos e de mudar o mundo (ui… quando chega aqui meio mundo acha que estamos loucos e nos fizeram uma lavagem cerebral). Trabalhamos para os NOSSOS sonhos. Temos em mãos um projeto de liberdade financeira: Um projeto que nos permite ganhar tempo e dinheiro (sim, leram bem, tempo também!).

Mas o melhor de tudo, a grande cereja no topo do bolo é que enquanto o fazemos, formamos-nos, cultivamos-nos e transformamos-nos na melhor versão de nós próprios. Esta é a má notícia: este projeto só é possível para quem está disposto a apostar no seu crescimento pessoal.

Eu sei… é estranho. Parece falso, parece impossível. Já o ouvi muitas vezes (nem imaginam quantas). Pessoas cépticas e sem esperança é o que mais há por aí, encontro-as todos os dias!!! Não me espanta. Numa sociedade em que fomos educados a desconfiar, a tirar um curso para trabalhar por conta de outro, a dizer mal do patrão e a programar a nossa vida consoante os anúncios da televisão… é normal! Mas a verdade é que existem outras realidades: Pessoas em quem podemos confiar mesmo sem as conhecermos; Pessoas que não tiraram nenhum curso e têm grande sucesso na vida; Patrões que realmente se preocupam; Boas marcas que não fazem publicidade… Projetos que realmente valem a pena. Há projetos que se regem pelo AMOR (e mesmo assim dão dinheiro!).

Talvez haja muito até. Eu só conheço este! Um projeto em que qualquer pessoa pode fazer parte, independentemente do seu ponto de partida. Onde nos entregam ferramentas para crescermos à nossa medida. Onde criamos uma nova família.

Este fim-de-semana tivemos mais um seminário brutal. E para não ficarem só com a minha palavra, deixo aqui algumas das publicações que pessoas da equipa foram deixando no facebook. E deixo uma pergunta também: Quantos amigos têm no facebook a deixar posts tão positivos sobre o trabalho que desenvolvem?

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